Folclore

 

Um pouco do conhecimento popular! 

 

 

Danças Folclóricas

 

          Entende-se por Danças Folclóricas as expressões populares desenvolvidas em conjunto ou individualmente, frequentemente sem sazonalidade obrigatória. Tudo indica que é na coreografia que reside seu elemento definidor. Existe um grande número delas no Brasil, aqui definidas por algumas da região sul. 

 

· Balaio (RS) – 1) Dança introduzida no Rio Grande do Sul pelos açorianos, geralmente acompanhada por sanfona (acordeona). A partir dos CTGs (Centro de Tradições Gaúchas), a dança invadiu quase todos os estados brasileiros. É uma espécie de fandango, com coreografia em círculo e pares determinados. 2) Cesto de fibra vegetal, de uso doméstico.

 

· Chimarrita (RS) – Dança portuguesa da Madeira e dos Açores. Os açorianos vieram em 1747 para o Rio Grande do Sul e trouxeram sua chama-rita, que ali se tornou a Chimarrita, irradiada para a Argentina, onde se popularizou. Era dançada nas festas de Nossa Senhora da Penha, no Rio de Janeiro. Renato Almeida (História da Música Brasileira) estudou a Chimarrita, também denominada Limpa-banco, pois diziam que, ao ouvi-la, ninguém ficava sentado, sem dançar.

  

  · Chula (Toda região) – No Rio Grande do Sul, a Chula se apresenta com uma coreografia que só homens executam: com sapateado e outras evoluções em torno ou sobre uma lança, no chão. Mesmo sendo improvisada, a coreografia mais elaborada, de movimentos mais complexos, desperta aplausos entusiasmados do público.

 

· Fandango (PR, RS) - O termo Fandango designa uma série de danças populares chamadas “marcas”. No Paraná, os dançadores, executam as variadas coreografias: Anu, Andorinha, Chimarrita, Tonta, Cana-verde, Caranguejo, Vilão de Lenço, Xarazinho, Xará Grande, Sabiá, Marinheiro, etc.

 

          O acompanhamento musical é feito com duas violas, uma rabeca e um pandeiro rústico, chamado adufo. As coreografias das “marcas” paranaenses constam de rodas abertas ou fechadas, uma grande roda ou pequenas rodas fileiras opostas, pares soltos e unidos. Os passos podem ser valsados, arrastados, volteados, etc., entremeados de palmas e castanholar de dedos. O sapateado vigoroso é feito somente pelos homens, enquanto as mulheres arrastam os pés e dão volteios soltos. No Rio Grande do Sul, o Fandango apresenta um conjunto de vinte e uma danças, com nomes próprios: Rancheiro, Pericom, Maçarico, Pezinho, Balaio, Tirana-do-lenço, Quero-mana, Tatu, etc. O acompanhamento musical é feito pelo acordeão, chamado “gaita”, e pelo violão. A coreografia recebe nomes também distintos - “Passo de juntar”, “Passo de marcha”, “Passo de recurso”, “Passo de valsa”, “Passo de rancheira”, “Sapateio”, etc.

 

 

Pau-de-Fitas (Toda a região) - Para seu desenvolvimento prepara-se um mastro com cerca de três metros de comprimento, encimado por um conjunto de largas fitas multicores, de maior tamanho. Os dançadores, em número par, seguram na extremidade de cada fita e, ao som das músicas, giram em torno do mastro, revezando os pares de modo a compor trançados no próprio mastro, com variados desenhos. No Rio Grande do Sul os trançamentos recebem os nomes: “Trama”, “Trança”, “Rede de Pescador”. Em Santa Catarina há o “Tramadinho”, “Trenzinho”, “Zigue-Zague”, “Zigue-Zague a dois”, “Feiticeira” e “Rede de Pescador”.

 

  · Pezinho (RS) – Dança de adultos no Rio Grande do Sul, mas começou como roda infantil nos Açores, em que os pares fazem uma roda, de mãos dadas, e cantam. O tema “pezinho” há muito desaparecido das festas gaúchas, foi reencontrado por Barbosa Lessa e Paixão Cortes por volta de 1950.

 

· Vilão (SC) - Desenvolvida por um grupo com 31 componentes, denominados batedores, balizadores, músicos e Mestre, a dança consta de batidas de longos bastões, com variados movimentos e ritmos. O encerramento é feito com o “serradinho”: são 7 movimentos rapidíssimos, executados com os balizadores agachados.

 

 

Bibliografia:

 

CASCUDO, Luis da Câmara.

Dicionário do Folclore Brasileiro. Rio de Janeiro.

Ed. Melhoramentos, 1976, 4ªed.